02/07/07

Estranho isto tudo.
Tens razão quando te queixas do tempo que passamos sem reparar no tempo.
Do pouco que falamos.
E mesmo que conversássemos a cada pôr-do-sol, a cada brisa do vento, a cada bater do coração, continuava a ser pouco, o tanto que dizíamos.


Parece saber sempre a pouco, quando a nós diz respeito.

02/07

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Há um vazio que me enche de agonia.
Estou mesmo preocupado contigo.

O que estás a pensar agora?
Agarra-te a mim, anda comigo.

03/07

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Foi-me dito que estavas melhor.
Pouco. Mas que estavas melhor.
Acho que as pessoas sabem tanto como Eu.

À distância, tudo é maior.
Os receios são maiores, as dúvidas são maiores, as perguntas aumentam.
Dá vontade de sair daqui e ir perguntar afinal o que se passa e o que é que andam a fazer?

E perguntar a quem?
E sair para onde?

Ontem devo ter adormecido já de dia.
Passei a noite a ver o escuro e a pensar.
A pensar se num determinado momento, Tu poderias estar a pensar exactamente o mesmo que Eu.
Exactamente o mesmo.
Convenci-me então que sim, que estavas.De tal maneira que até podia dialogar contigo.
É um exercício fantástico.

Faz-me falta saber que estás do outro lado.





Era para parar de escrever por hoje, mas apetece-me ficar mais um pouco contigo.
Estou à espera de notícias tuas, o que ainda não aconteceu. Não que sejas Tu a dar-me as noticias, claro.
Fico com um nó na garganta. Acho que se soubessem, ligavam-me de cinco em cinco minutos, nem que fosse para repetir o mesmo.
É claro que não podia ser. Mas gostava.


Já te disse que ontem pensei que Tu estavas a pensar o mesmo que Eu?
Lembrei-me das noites, contigo e com a Cristina Ganâncio em minha casa.
De faltares à missa o Domingo à tarde.
E de Waterboys.
Não me lembrei de Supertramp. Isso foi hoje de tarde quando ouvi na rádio o “It’s Raining Again”

Duvido que Tu te estivesses a lembrar destas coisas.


Vou ligar a alguém.


Tenho falado com quem já não me lembrava como o timbre de voz soava e já sei que hoje passeaste um pouco.


Conheces aquele cheiro quando chove por instantes numa tarde de Primavera?
É como uma paisagem repintada.


04/07

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"Que nenhuma estrela queime o teu perfil
Que nenhum deus se lembre do teu nome
Que nem o vento passe onde tu passas.
Para ti criarei um dia puro
Livre como o vento e repetido
Como o florir das ondas ordenadas."

Sophia de Mello Breyner Andresen

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Ontem pensei, quantas vezes te sentes sózinha?
E no que pensas ou sonhas?


“Tenho o nome de uma flor
quando me chamas.
Quando me tocas,
nem eu sei
se sou água, rapariga,
ou algum pomar que atravessei.”


Eugénio de Andrade





Mais um dia sem falar contigo.
É certo que nem tentei, nem vou tentar.
Mas tinha cá uma vontade.


O que importa é que estejas bem e ao que consta, estás a melhorar.



Ainda assim, parece que se aplica uma das leis de Murphy : “Se uma série de acontecimentos corre mal, fá-lo-á na pior sequência possível”.

Mas disso falamos depois, se assim entenderes.


05/07

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"O amor é uma companhia.
Já não sei andar só pelos caminhos,
Porque já não posso andar só.
Um pensamento visível faz-me andar mais depressa
E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo.

Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo.
E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.
Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.

Todo eu sou qualquer força que me abandona.
Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio."

Alberto Caeiro
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Não coloco mais datas no que escrevo.
Vou-te escrevendo na minha memória.

"Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive"

Ricardo Reis

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1 Comentários:

Blogger Feel disse...

Obrigada!

Sei que te assustei, desculpa, eu também estava apavorada… tudo me vinha a cabeça, tudo o que tinha vivido, tudo o que não iria viver, tudo o que perdia… Não suportava mais estar ali – “Não suporto que amanhã seja mais um dia. Que hoje seja um prolongamento de agora.”
Muitas vezez “gritei”, em silêncio, o teu nome, sabia-te comigo, mesmo do outro lado… nunca chega o que temos, pois não?
“Devias estar aqui rente aos meus lábios
para dividir contigo esta amargura
dos meus dias partidos um a um
- Eu vi a terra limpa no teu rosto,
Só no teu rosto e nunca em mais nenhum”

Cheguei a temer o pior, tudo caía sobre mim e esmagava-me devagarinho, e a dor cada vez maior! Não vislumbrava um final, nada! Era um rolar de acontecimentos sem fim. Os primeiros 15 dias foram de loucos, eu fiquei louca com tantas incertezas. E no meio de tanta confusão, ainda fui, por uma pequenina fracção de tempo, FELIZ, exaltantemente FELIZ! Pensar que uma vida está dentro de nós…. Apesar de tudo, estava lá, era meu! Que importava o resto!!! Afinal os sonhos podiam realizar-se…
Ou não… tudo se foi… afinal continuo a desejar os impossíveis… Morri. Não existo em nada… e senti, senti tanto, não pensei, não quis pensar…
“E quando me perguntam o que sinto, nunca sei que dizer
porque se soubesse estaria a pensar
e não a sentir.”

Senti raiva de tudo, do Mundo, de Deus, de mim, quantas lágrimas escondidas… mas não podia morrer, isso não…
"Levar-te à boca,
beber a água
mais funda do teu ser -
se a luz é tanta,
como se pode morrer?"


Quantos estiveram à minha cabeceira!!! Quantos passaram horas sem dizer nada, porque eu não queria ouvir… qualquer sussurro me parecia insignificante, patético, despropositado. Fui egoísta, eu sei!
Agora.. tenho que viver com o que me pertence…

Quem morre?

“Morre lentamente
quem se transforma em escravo do hábito,
repetindo todos os dias os mesmos trajectos, quem não muda de marca
Não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente
quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente
quem evita uma paixão,
quem prefere o negro sobre o branco
e os pontos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de emoções,
justamente as que resgatam o brilho dos olhos,
sorrisos dos bocejos,
corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente
quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho,
quem não se permite pelo menos uma vez na vida,
fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente
quem não viaja,
quem não lê,
quem não ouve música,
quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente
quem destrói o seu amor-próprio,
quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente,
quem passa os dias queixando-se da sua má sorte
ou da chuva incessante.
Morre lentamente,
quem abandona um projecto antes de iniciá-lo,
não pergunta sobre um assunto que desconhece
ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves,
recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior
que o simples facto de respirar. Somente a perseverança fará com que conquistemos
um estágio esplêndido de felicidade.”

Espero que tenhas razão quando dizes que estou condenada a ser feliz e a fazer os outros felizes. Que essa pena seja logo aplicada!!!
“Há quem sonhe com coisas que aconteceram, e explicam porquê. Eu sonho com coisas que nunca acontecerão e pergunto: porque não?”

Continuava a escrever-te… para sempre…

3:48 da tarde  

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