05/02/05

Maleitas

Não há dor pior que a dor de alma. Se nos dói um dente, ele pode ser arrancado. Se nos dói a cabeça, encharcamo-nos de comprimidos. A alma é diferente. Não há fármaco ou mézinha que nos valha, exceptuando talvez um comprimido para dormir e, aí, esquecemos por momentos as nossas aflições nos braços de Morfeu. Mas ao acordarmos tudo volta, e vamos desejar não ter acordado. Às vezes a agonia é tal que nos fechamos no nosso casulo, longe do Mundo, e só saímos para fazer algo que não nos lembre das chagas que carregamos... Se o desespero assim o exige, mergulhamos numa espiral que nos consome e nos afunda cada vez mais, fugimos do que nos faz sorrir com receio que também isso desapareça... damos por nós a dar asas à dúvida e ao remorso, num ciclo vicioso que só alimenta a fogueira. A alma não pode ser arrancada nem há comprimido que nos acuda... e nestes tempos que correm esquecemo-nos muitas vezes que o terapeuta adequado tem os nossos olhos, veste a nossa pele e tem uma vida curta demais para passar os dias a sentir pena dele mesmo e a fugir do horizonte...

2 Comentários:

Blogger Lua disse...

Foi dos melhores posts que já li. Descreve perfeitamente a realidade que, acho, todos passamos. De quando em vez e que já é demais...
Nós gostamos sempre de ler aquilo que tb nós já tentámos meter em palvras.É isso Hugo!! Perfeito!

1:33 da manhã  
Blogger ♥Rita♥ disse...

Teremos que procurar a força dentro de nós mesmos para acabar com a tal dor de alma. E não desistir de a encontrar mesmo que pareça ter sido deitada fora...

7:51 da tarde  

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