13/06/05

As palavras que te envio são interditas

As palavras que te envio são interditas
até, meu amor, pelo halo das searas;
se alguma regressasse, nem já reconhecia
o teu nome nas suas curvas claras.

Dói-me esta água, este ar que se respira,
dói-me esta solidão de pedra escura,
estas mãos nocturnas onde aperto
os meus dias quebrados na cintura.

E a noite cresce apaixonadamente.
Nas suas margens nuas, desoladas,
cada homem tem apenas para dar
um horizonte de cidades bombardeadas.


Eugénio de Andrade 1923 - 2005

2 Comentários:

Anonymous Paula disse...

Um dos meus preferidos deste grande escritor:

Frente a frente

"Nada podeis contra o amor,
Contra a cor da folhagem,
contra a carícia da espuma,
contra a luz, nada podeis.

Podeis dar-nos a morte,
a mais vil, isso podeis
- e é tão pouco!"

RIP Eugénio de Andrade e Álvaro Cunhal

12:39 da manhã  
Blogger PePtiDaSe disse...

Lindo!

3:08 da tarde  

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