25/01/07

Pelo "Sim" pelo "Não" ....

Acredito que não sou o único que em cada passagem de ano faz promessas, bate o pé com certezas e anuncia mudanças para o novo ano.
“Temos que acreditar que podemos mudar” dizia Luísa Crespo, directora do estabelecimento prisional da Guarda, esta semana no Argumentário.
É com esta ideia que a maioria dos Portugueses passa o primeiro dia de cada ano e é com a certeza que afinal estavam enganados que vivem logo no segundo dia.
Pode parecer desanimador ser-se Português, mas temos que aceitar esse facto como um desafio.

Alertou Sérgio Godinho, no espectáculo que deu recentemente no TMG, que, … só neste País é que se diz “só neste País”. E é verdade. Mas também é verdade, que custa a acreditar que existam outros cantos deste mundo, onde a paciência de um indivíduo seja posta à prova como é a nossa diariamente.
Tomando como exemplo o referendo sobre o aborto. Os exageros do “Sim” e os abusos do “Não”.
Só neste País é que um ano acaba mal e começa pior.


Parto do principio que somos todos contra o aborto.


É difícil aceitar alguém que usa como argumento, o simples facto de ser dono e senhor, neste caso dona da sua barriga, para poder decidir se deve ou não abortar, não estando em causa nenhum risco para a mãe, não se tratando de um caso de malformação do feto ou de violação ou qualquer outra situação que altere profundamente um nascimento chamado “normal”.
A ideia transmitida de “faço o que quero com a minha barriga” é redutora e leva a equívocos graves que deturpam a realidade de quem necessita de cuidados quando eles são mesmo necessários. Tenho também dúvidas, que quando o “Sim” ganhar, o número de abortos em clínicas de Espanha ou em curandeiros de vão de escada diminua. Tenho sérias dúvidas. Mas daqui a um ano quando já ninguém falar do assunto, pode ser que surja um estudo, igual aqueles estudos que custam milhares de euros mas que não servem para nada, com os números em questão. Talvez nessa altura já não se arda no inferno por ter votado “Sim” e quem sabe, até a Igreja promova visitas guiadas ás catacumbas dos conventos, provando que se pode perdoar aquelas que em tempos pecaram.
Há ainda outro episódio que nos leva a dizer “só neste País”.
Os portugueses residentes no estrangeiro não podem votar neste referendo. A justificação é que não estão sujeitos à lei penal portuguesa, posição defendida pelo PS e PCP.
É esta dualidade de critérios que por vezes emperra o País.

O programa vale o que vale, mas assim, não se admirem que na lista dos 10 Grandes Portugueses, Álvaro Cunhal esteja ao lado de António Salazar.


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