18/08/08

Amo o espaço e o lugar, e as coisas que não falam
O estar ali, o ser de certo modo,
o saber-se como é, onde é que está, e como,
o aguardar sem pressa, e atender-nos
da forma necessária.

Serenas em si mesmas, sempre iguais a si próprias,
Esperam as coisas que o desespero as busque.

Abre-se a porta e o próprio ar nos fala.
As cortinas de rede, exactamente aquelas,
A mesa, o copo, a chávena, o relógio,
O móvel onde alguém permanece encostado
Sem volume e sem tempo,
Nós próprios, quando os olhos indignados
Nas pálpebras se encobrem.

Põe-se a pedra na mão, e a pedra pesa,
Pesa connosco, forma um corpo inteiro.
Fecha-se a mão, e a mão toma-lhe a forma,
Conhece a pedra, estende-lhe o feitio,
Sente-a macia ou áspera, e sabe em que lugares.

Se fosse o amor dos homens
Quando se abrisse a mão já lá não estava.

António Gedeão

1 Comentários:

Blogger Feel disse...

Amamos os momentos,
Amamos aqueles que permanecem, Amamos a música,
Dizemos que amamos através da poesia...
Escrita pela nossa mão
ou pela de tantos que sentem como nós!!!

9:35 da tarde  

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