26/09/08

À Beira de Água

Estive sempre sentado nesta pedra
escutando, por assim dizer, o silêncio.
Ou no lago cair um fiozinho de água.
O lago é o tanque daquela idade
em que não tinha o coração
magoado. (Porque o amor, perdoa dizê-lo,
dói tanto! Todo o amor. Até o nosso,
tão feito de privação.) Estou onde
sempre estive: à beira de ser água.
Envelhecendo no rumor da bica
por onde corre apenas o silêncio.


Eugénio de Andrade

2 Comentários:

Blogger @ disse...

Mata-me este.
Irra.

1:05 da manhã  
Blogger Feel disse...

Lindo! Poucas palavras que dizem tanto!
Eugénio de Andrade, um poeta extraordinário!

6:42 da tarde  

Enviar um comentário

Subscrever Enviar comentários [Atom]

<< Página inicial