14/06/05

ADEUS

Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos.
Era no tempo em que o teu corpo era um aquário.
Era no tempo em que os meus olhos
eram os tais peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade:
uns olhos como todos os outros.

Já gastamos as palavras.
Quando agora digo: meu amor...,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus.

Nota: Há certas formas de "Adeus" que por mais que as diga, aparecem-me sempre sob a forma de um qualquer regresso...

2 Comentários:

Blogger ZeoX disse...

Sinto-me algo entre o feliz e o estúpido de algumas vezes ter dito adeus mas nunca ter compreendido o significado da palavra.

É forte, mas um "Olá" tem sempre mais força, não tem?

9:37 da tarde  
Blogger PePtiDaSe disse...

O "Olá" é o "qualquer regresso" de que a Kelloguita fala. Diria que oscilamos entre "Olá" e "Adeus". De qualquer forma meu caro ZeoX, o "Olá" nega o anterior "Adeus" e confere-nos a verdadeira esperança. É logicamente mais forte. Sem dúvida.

3:06 da tarde  

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